VIDA
Considerado por muitos como o maior escritor brasileiro de todos os tempos, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho do operário Francisco José Machado de Assis e de Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo e é criado por Maria Inês, que se revela uma madrasta muito maternal. Pouco se sabe sobre sua infância. Sabe-se que foi criado no morro do Livramento, vendeu balas de coco na rua para ajudar a madrasta frequentou um pouco a escola. Era de saúde frágil: tinha gagueira e epilepsia. Mesmo não frequentando muito a escola, empenhava-se em aprender (era autodidata). Apesar de todas as dificuldades, comoveu e foi apadrinhado por Dona Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso, proprietária da Quinta do Livramento, onde o jovem Machado e sua família foram agregados.
Em 1855, com 16 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o poema Ela, no jornal "Marmota Fluminense". No ano seguinte, entrou para a Imprensa Nacional, como aprendiz de tipógrafo, e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida, autor do livro Memórias de Um Sargento de Milícias. Percebendo o talento do jovem aprendiz, Manuel fez de Machado seu protegido. Em 1859, era revisor e colaborador no "Correio Mercantil" e, em 1860, passou a trabalhar na redação do "Diário do Rio de Janeiro". Escrevia regularmente também para a revista "O Espelho", onde estreou como crítico teatral, "A Semana Ilustrada", "Jornal das Famílias", no qual publicou contos.
O primeiro volume de Machado de Assis foi impresso, em 1861, com o título Queda Que As Mulheres Têm Para os Tolos, mas o nome de Machado aparecia aí como tradutor. Em 1862, era censor teatral. Começou também a colaborar em "O Futuro", órgão dirigido por Faustino Xavier de Novais, irmão de sua futura esposa. Seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, saiu em 1864. Em 1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.
Em agosto de 69, morreu Faustino Xavier de Novais e, menos de três meses depois, Machado de Assis se casou com a irmã do amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais. Ela foi durante 35 anos mais do que uma esposa: era amiga, mãe e enfermeira. Mulher culta, apresentou-lhe os clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa. O casamento não gerou filhos, mas, mesmo assim, Machado e Carolina tiveram um relacionamento muito feliz.
O primeiro romance de Machado, Ressurreição, saiu em 1872. Como vários intelectuais de sua época, o escritor ingressou no funcionalismo público e foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Em 1874, começou a publicar, em "O Globo" (não confundir com o jornal da família Marinho), em folhetins, o romance A Mão e a Luva. Intensificou a colaboração em jornais e revistas, tais como "O Cruzeiro", "A Estação", "Revista Brasileira" escrevendo crônicas, contos, poesia, romances, que iam saindo em folhetins e depois eram publicados em livros.
Continuou colaborando na "Revista Brasileira". Do grupo de intelectuais que se reunia na redação da revista, partiu a idéia da criação da Academia Brasileira de Letras, projeto que Machado de Assis apoiou desde o início. No dia 28 de janeiro de 1896, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente vitalício da instituição, à qual ele se devotou até o fim da vida ocupando a cadeira de número 23 cujo patrono era seu grande amigo José de Alencar (autor, entre outros, do romance O Guarani).
Nos anos de 1891 e 1899, respectivamente, publicou mais duas obras-primas: Quincas Borba e Dom Casmurro.
1896 é o ano da publicação do livro de Contos Várias Histórias.
Em 1904 publicou Esaú e Jacó e nesse mesmo ano faleceu Carolina, deixando-o inconsolável.
Em 1908 publicou Memorial de Aires e faleceu no dia 29 de Setembro. Seu funeral teve honras de chefe de estado e o discurso fúnebre foi lido pelo ilustre jurista Ruy Barbosa.
OBRA
Romances
- Ressurreição - 1872
- A mão e a luva - 1874
- Helena - 1876
- Iaiá Garcia - 1878
- Memórias Póstumas de Brás Cubas - 1881
- Quincas Borba - 1891
- Dom Casmurro - 1899
- Esaú e Jacó - 1904
- Memorial de Aires - 1908
- Crisálidas - 1864
- Falenas - 1870
- Americanas - 1875
- Ocidentais - 1880
- Poesias completas - 1901
- Contos Fluminenses - 1870
- Histórias da Meia-Noite - 1873
- Papéis Avulsos - 1882
- Histórias sem Data - 1884
- Várias Histórias - 1896
- Páginas Recolhidas - 1899
- Relíquias da Casa Velha - 1906
- Hoje avental, amanhã luva - 1860
- Queda que as mulheres têm para os tolos - 1861
- Desencantos - 1861
- O caminho da porta - 1863
- O protocolo - 1863
- Quase ministro - 1864
- Os deuses de casaca - 1866
- Tu só tu, puro amor - 1880
- Não consultes médico - 1896
- Lição de botânica - 1906
Nota: Não foram incluídos na presente lista os diversos textos de crítica e as crônicas publicados pelo autor em jornais e revistas ao longo dos anos.

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